cultivando relacionamentos saudáveis

Ego Rebelde

 

Todos nós nos lembramos como vontade própria funciona quando recordamos da nossa infância. Os acessos amargos e prolongados de raiva a cada frustração. O derramamento de lágrimas ardentes. A obstinação de nunca desistir a respeito do que se quer. Por isso, os pais e as mães aprendem logo cedo que o primeiro passo para a educação é exercer controle na vontade da criança. Muitas vezes os métodos estão errados, mas não enxergar esta necessidade é privar-se de si mesmo de todo tipo de leis espirituais. E se agora estamos crescidos já não berramos mais tanto assim. Os mesmos comportamentos passam a assumir formas mais sutis. As formas ficam mais espertas e fazem de tudo para evitar serem extintas, graças a todo tipo de “compensação”. Daí a necessidade de morrermos diariamente: não importa o quanto achamos que tenhamos quebrantado o ego rebelde, é possível que continuemos a encontrá-lo vivo.

 

Entrega

 

O bem mais apropriado à criatura é a entrega ao seu Criador – entregar-se intelectual, voluntária e emocionalmente. Aquele relacionamento que se dá pelo simples fato de ser criatura. No mundo que conhecemos hoje, o problema está em como recuperar essa autoentrega. Não somos simplesmente criaturas imperfeitas, carentes de ser aperfeiçoadas: somos, como Newman disse, rebeldes que precisam mesmo é entregar as suas armas. Portanto, a primeira resposta à questão por nossa cura precisa ser dolorosa é o fato de que a entrega da vontade que nós passamos tanto tempo reivindicando como sendo a nossa própria já é, em si mesma, não importa onde e como seja realizada, um sofrimento mortificante. A entrega da vontade própria, inflada e inchada por anos de usurpação, representa uma espécie de morte.

 

Amor

 

Quando de fato aceitamos Deus como Ele é e Seus métodos, podemos expressar nossa culpa, nossas dores, nossos descaminhos e nossas inclinações. “Deem-me a certeza de que existe um Deus de amor e serei um homem ou uma mulher curado(a)”. Essa afirmação é a que muitos de nós faz interiormente sempre. Quando aceitamos que Deus é amor e que Ele quer sempre nosso bem, a criança de outrora não quer mais compensações. Aí sim o amor de Deus desce até nós e enche nosso ser. Saber que somos aceitos dispõe-nos a trazer à tona nossos dolorosos fracassos. Deus agora começa a curá-los.

 

Quando realmente conhecemos, sentimos e experimentamos o amor de Deus, não podemos deixar de amar a nós mesmos. Tal espécie de amor próprio não é nada semelhante ao do narcisismo barato que nossa cultura vem divulgando. É amor autêntico, abrangente, baseado em quem somos, não no que fazemos. Quando esse amor começa a penetrar os corações, ele flui naturalmente sobre aqueles que estão à nossa volta. Amar os outros passa a ser algo menos difícil, mais natural.


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