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ORAÇÃO: FORMAS E RESPOSTAS

Edvaldo Shamá

No sentido de fornecer breves orientações para sua vida de oração, compartilhamos este texto. As linhas a seguir não têm a ousadia de ser a última palavra sobre formas e respostas de oração. Entendemos que no universo da oração todos somos aprendizes.

ORAÇÃO

Diante das inúmeras definições e profundas afirmações sobre o que é Oração, nos posicionamos pontuando que Oração é o ato de comunicação / conversa entre o ser humano e Deus e entre Deus e o ser humano. É importante entender a oração como uma via de mão dupla: o Homem se dirigindo a Deus e Deus se dirigindo ao Homem. Esclarecemos que Deus se comunica com o ser humano através de outras formas, não somente via a Oração.

FORMAS

Ao longo da história da igreja e da teologia, as orações cristãs foram e são classificadas de formas variadas. Igrejas, líderes, teólogos, autores, etc, utilizaram e utilizam nomenclaturas diferentes quando ensinam ou refletem sobre as diferentes categorias de oração.

A variedade na classificação das orações tem a ver com a ênfase de cada oração. Abordamos aqui 5 (cinco) formas fundamentais, embora existam outras, ou digamos que certos autores subdividem estes grandes 5 eixos de oração.

ORAÇÃO DE PETIÇÃO - ORAÇÃO DE INTERCESSÃO - ORAÇÃO MEDITATIVA - ORAÇÃO CONTEMPLATIVA - ORAÇÃO DE ADORAÇÃO

Oração de PETIÇÃO: é o tipo de oração mais comum. Comum aqui não significa menos importante. É quando pedimos a Deus pela nossa vida, por nossas situações. Sobre algo relacionado a relacionamentos, família, vida profissional, etc. Apesar de ser o tipo mais comum de oração, a petição normalmente pode nos levar a dilemas na relação com Deus. Os dilemas ocorrem quando não observamos a Soberania de Deus: Sua vontade, Seus desígnios. Nosso egoísmo pode nos levar a querer determinar a Deus como responder cada oração. E caso não aconteça como queremos, podemos nos frustrar e consequentemente crer em Deus de uma forma distorcida ou até deixar de crer Nele.

Oração de INTERCESSÃO: quando intercedemos diante de Deus por alguém que está sofrendo e/ou que necessita de um encontro fundamental com Deus. Pode ser alguém que conhecemos ou não. Pode ser por um grupo de pessoas, por lideranças, por um país, etc. A oração de intercessão ou intercessória pode nos levar a vivenciar os mesmos dilemas relatados acima quando abordamos a oração de petição.

Oração MEDITATIVA: esta oração tem a ver com busca por crescimento espiritual, com um mais profundo e íntimo relacionamento com Deus. A prática da meditação cristã começa a partir da reflexão em um texto bíblico ou em um livro cristão. Devemos sempre dar preferência a meditar a partir da Bíblia, uma vez que existe todo tipo de literatura.

Com o texto em mãos procuramos através da oração (meditativa) e leitura pausada (leitura orante ou lectio divina - leitura pacífica e criteriosa de forma espiritual) no sentido de extrair ensinos, convicções, alertas, promessas, etc. Na oração meditativa não pedimos pelo mundo exterior, mas pelo mundo interior. O foco é o homem e a mulher espiritual. Pedimos para que Deus nos revele verdades sobre nós mesmos e sobre Ele. E que toda experiência seja encarnada, solidificada e amadurecida em nosso ser.

Oração CONTEMPLATIVA - esta oração normalmente deve acontecer no processo de meditação. Tema que abordamos anteriormente.É quando oramos a Deus para que nos ajude a “digerir” a meditação e torná-la prática em nossas vidas. O exercício da contemplação cristã se dá através de momentos de gratidão, de confissão, de descanso e de refúgio em Deus que se prolongam e se desenvolvem a partir da "leitura orante".

As dimensões gratidão, confissão, descanso e refúgio, dentre outras, fazemos com a mente ativa, ou seja, estamos utilizando nosso intelecto/mente durante todo o processo. Entretanto, existe uma outra dimensão do ato de contemplação. A Contemplação com a mente passiva.

A contemplação com a mente passiva tem Deus como único agente no processo. Em Mateus 6:25-34, texto do Sermão do Monte, Jesus ensina que ao meditarmos sobre nossas ansiedades (mente ativa) deveríamos, como forma de gerar maior confiança em Deus, observarmos (mente passiva) a Sua criação: os pássaros (representando a fauna) e os lírios (representando a flora). Nossa mente fica passiva para admirar a incrível natureza criada por Deus.

Devemos ter cuidado com a contemplação com a mente passiva, pois ela deve ser uma atitude para firmar convicções e não momentos por busca de sensações.

A contemplação cristã é um estágio posterior a meditação, não uma atividade separada e/ou puramente sensorial.

É importante salientar ainda que existem autores que tratam meditação e contemplação como um só tema. Ou que usam elementos da meditação na contemplação e vice-versa.

Oração de ADORAÇÃO: nesta forma de oração não pedimos nada, apenas expressamos nossa admiração por Deus. Não buscamos nada, a não ser Sua exaltação. A oração de ADORAÇÃO é o clímax de uma interioridade totalmente encharcada por Deus. É o anseio espontâneo do ser por adorar, honrar, magnificar e bendizer a Deus. É uma resposta humana ao contínuo derramamento de amor. Na oração de ADORAÇÃO, amamos a Deus por ser quem Ele é.

Esta forma de oração é o ápice das demais formas de oração.

RESPOSTAS

Quando pedimos algo a alguém, é natural esperarmos por respostas. A oração funciona da mesma forma.

Abordaremos aqui respostas de oração para as duas primeiras formas: PETIÇÃO e INTERCESSÃO (com exceção da última resposta abaixo que trata das orações MEDITATIVA e CONTEMPLATIVA). As orações MEDITATIVA e CONTEMPLATIVA serão sempre respondidas ou contempladas, a medida que Deus observa nosso empenho por busca de maturidade espiritual, pois Ele tem todo interesse no nosso mundo interior, no nosso crescimento espiritual e nosso relacionamento com Ele. Não quer dizer que Ele não tenha interesse pelo nosso mundo exterior, mas Sua Vontade irá variar de pedido para pedido.

De maneira clássica entendemos que a ORAÇÃO, no caso das orações de PETIÇÃO e de INTERCESSÃO, têm 3 respostas: sim, não e espere. Entretanto, nossa intenção é expandir estas respostas para nos dar uma maior compreensão e sensibilidade de como Deus responde orações.

NÃO, EU TE AMO DEMAIS!

Começamos com um "não" para depois falarmos dos "sim".

Devemos compreender que o "não de Deus" não é um "não qualquer", é um "não amoroso". Assim como os pais e mães dizem "não" aos seus filhos para protegê-los e poupá-los ou porque têm propósitos diferentes ou ainda porque por experiência sabem onde um "sim" os levará, da mesma forma Deus faz com cada um de nós. Obviamente, assim como os filhos, temos dificuldade de entender "nãos".

SIM, MAS VOCÊ TEM QUE ESPERAR!

Deus tem Seu tempo que é diferente do nosso. Ele não se impressiona com nossas cosmovisões contemporâneas onde tudo tem que ser rápido, imediato, etc. Ele também pode querer trabalhar certas áreas de nosso ser ou certas circunstancias antes de responder nossas orações.

SIM, MAS NÃO É O QUE VOCÊ ESPERAVA!

Devemos estar sensíveis ao que pedimos a Deus. Em muitas situações Ele pode já ter respondido nossas orações, mas como nosso foco/interesse não foi atendido não enxergamos Seu agir ao nosso redor ou em nós mesmos.

SIM, E AQUI ESTÁ MAIS!

Existem certas ocasiões em que estamos pedindo por uma pessoa ou alguém vem pedir nosso auxílio ou ficamos sabendo da dificuldade de um indivíduo ou instituição e, sem percebermos uma conexão divina, nossa vida pessoal começa a ser "abençoada" através de um aumento de salário, um bônus, um negócio fechado, etc. Mais uma vez enfatizamos a importância de estarmos sensíveis ao agir Deus ao nosso redor.

SIM, EU "PENSEI" QUE VOCÊ NÃO IA PEDIR!

Deus tem todo interesse que cresçamos espiritualmente, mas como Ele é um "cavalheiro", não nos força, nos quer voluntariamente. Portanto, cabe a nós a busca por um maior aprofundamento na relação com Ele. O desejo de amadurecer no relacionamento com Deus através da oração, leitura, meditação, contemplação e prática tem resposta certa. Sim.

Uma observação: sem querermos ser teológico demais, mas já sendo, esclarecemos que o verbo "pensar" acima é uma forma linguisticamente precária de atribuirmos ações humanas a Deus. O verbo é utilizado no sentido de declarar o interesse de Deus pelo nosso desejo genuíno de nos relacionarmos mais intensamente com Ele. Pensar é uma prática humana.


Este texto contém insights, impressões e reflexões de líderes cristãos, teólogos e autores de tradições cristãs diversas sobre o complexo tema da Oração (Richard Foster, Dallas Willard, Brennan Manning, Luis Palau, Tim Keller, Philip Yancey, Bill Hybels, Thomas Merton, Thomas Keating, Richard Rorh, Lawrence Freeman, Henri Nouwen dentre outros). Estes, por sua vez, aprenderam com outros (as) “peregrinos(as) na arte de orar” que a história cristã produziu. Salientamos ainda que não concordamos com todas percepções e práticas sobre oração e outros temas oriundos dos nomes acima mencionados. Procuramos extrair com equilíbrio e cautela dimensões que entendemos como importantes para a vivência do mais significativo dos hábitos espirituais, a Oração.


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